O meu nome é Joey Oliveira. Nasci nos Açores. Sirvo no Desafio Jovem, na Operação Josué há 3 anos e 5 meses.

Quando tinha 10 meses de idade os meus pais decidiram mudar-se para Califórnia à procura de novas oportunidades. Tive uma infância dita normal apesar das dificuldades de adaptação à nova cultura. Por volta dos 10, 11 anos a realidade dentro da minha casa alterou-se. O meu pai, que era quem sustentava a casa, magoou a coluna enquanto trabalhava, ficando com uma incapacidade permanente. Lembro-me bem da frustração e preocupações na nossa família. Aos 12 anos a pobreza instalou-se e, por isso, mudámo-nos para um bairro pouco conceituado, com influências muito negativas. Os amigos que lá arranjei também influenciaram negativamente a minha vida. Comecei a falar, vestir-me e pensar de forma diferente. Aos 15 anos todas as minhas escolhas se tornaram irresponsáveis e erradas. Comecei por faltar à escola, fumar, fazer tatuagens e aos 16 anos deixei mesmo a escola. Comecei a experimentar drogas, sexo e violência. Depois de ter passado por todas as praxes e rituais (entre eles levar uma grande tareia), entrei numa muito conhecida gang de rua.

A minha vida e escolhas eram agora: graves crimes cometidos com a gang, tiros, uso de drogas, tráfico de drogas, sexo e muita violência. Entre os 16 e os 21 anos a minha vida ficou completamente fora de controlo, entrei e sai diversas vezes da cadeia por variados crimes.

Num piscar de olhos tornei-me outra pessoa. Perdido, vazio, confuso. Estava completamente alheado da realidade.

Aos 21 anos a minha vida mudou para sempre. No dia 24 de Julho de 1991, num encontro com uma gang inimiga, um dos meus amigos disparou e matou um dos membros dessa gang. 6 de nós fomos presos e dois dias depois eu estava sendo acusado de ter baleado essa pessoa. Depois de um longo ano na barra dos tribunais, fui condenado por homicídio em 2º grau. Lembro-me de pensar como me sentia traído. O que tinha eu feito com a minha vida. A minha vida tinha terminado, literalmente.

Entrei na prisão completamente vazio, frustrado, zangado, confuso e em grande dor. Os primeiros sete anos de prisão foram incrivelmente difíceis. Fui atacado por gangs de prisão várias vezes. Queria desistir! A vida não tinha nenhum sentido.

Por um longo tempo eu não podia aceitar ter sido acusado por um crime que não tinha cometido!

Mas, um dia, um certo guarda prisional começou a partilhar Jesus comigo. Ele orou por mim e deu-me literatura cristã para ler. Eu lia e escutava, mas não fazia ideia de quem era este Jesus.

Mais tarde, fui transferido para outra cadeia e fui colocado numa cela onde estava um dos membros duma das gangs que tinha atentado contra a minha vida. Este homem era agora um cristão e partilhava Jesus comigo. Continuava a não fazer sentido!

Ele convidava-me constantemente para ir à capela e à igreja e eu sempre a arranjar desculpas para não ir, até que finalmente fui e em maio de 1998 a minha vida, uma vez mais, mudou e para sempre. Conforme o pastor ia falando eu sabia que o Espirito Santo me ia convencendo. Nesse dia eu rendi a minha vida a Jesus Cristo como meu Senhor e Salvador. Deus ia enviando pessoas para me ajudar na minha caminhada e assim ser restaurado de todo o meu passado e compreender melhor as minhas escolhas. Entendi que os meus pecados me separavam de Cristo, entendi que as minhas inseguranças, a falta de amor em casa, o meu egoísmo tinham sido desviantes, mas entendi também que Deus tinha estado sempre lá. E, a 28 de setembro de 2011, somente por um milagre de Deus, fui libertado da sentença que era para toda a vida. Após completar 20 anos e 2 meses de cadeia, com a idade de 41 anos, fui deportado para o meu país de origem, Portugal.

Aterrei no aeroporto de Lisboa, com bilhetes para a minha ilha de origem, S. Jorge, nos Açores. Dois dias e meio de viagem. Um homem livre mas, sem dinheiro, sem conhecer ninguém, falando muito pouco português… Chorei muito e não conseguia entender o que Deus estava a fazer…

Mas Deus que é sempre fiel, continuou a colocar as pessoas certas no meu caminho. Através de um missionário americano conheci o Pastor Carlos Couveiro, na Ilha Terceira, que me ajudou muito e com quem falei muito sobre servir a Deus. Posteriormente, também o Pastor António Barbosa esteve na igreja do Pastor Couveiro, juntamente com um outro açoriano /americano, o Rui Reis e falaram-me do Desafio Jovem e de usar a minha vida e o meu testemunho para ajudar outras pessoas. E aqui estou eu em Portugal há já 4 anos. Estou a servir a Deus no Desafio Jovem. Todas as escolhas erradas que fiz, Deus usa-as como ferramentas para cumprir o Seu propósito na minha vida. Faço parte da Equipa das Prisões que semanalmente partilha a única Verdade, Esperança e Amor que pode preencher o vazio de cada homem, Jesus Cristo.

Quero agradecer a todos que têm investido em mim e que me ajudam a ser mais como Ele!

Gálatas 5:1, I Coríntios 9:19

A Graça de Deus é Admirável!