A minha história até começa bem… Nasci num lar cristão onde me foi apresentado um Deus, que sempre associei ao DEUS do “não posso”, ao Deus de regras e proibições. Por essa razão, na escola, em criança, sentia-me diferente dos outros e tinha uma necessidade enorme de me assumir perante quem me rodeava.

Comecei, desde muito cedo, a roubar dinheiro onde quer que fosse, sempre que tinha oportunidade. Fui até diversas vezes apanhado, chegando ao ponto de assaltar várias vezes a mesma casa onde acabei por ser preso pela polícia. Sem antecedentes, deixaram-me ficar em liberdade a aguardar julgamento.

Naquelas alturas lembrava-me daquele Deus de quem ouvira falar desde pequeno e acabava mesmo por tentar falar com Ele, na esperança de que Ele me livrasse de mais um aperto.

Saí da escola bem cedo e comecei a trabalhar e a tornar-me mais independente. Assim, com o meu próprio dinheiro ninguém me agarrava – comecei a tomar as minhas próprias decisões e a ter as experiências que queria.

Das drogas leves às duras, passando pelo álcool, foi tudo muito rápido. E mais rápido ainda o tempo que as drogas levaram a mandar em mim. Num instante, já ninguém confiava em mim, pois enganava tudo e todos. Entretanto, no meio de tantos contratempos, os médicos descobriram que eu tinha um problema muito grave nos intestinos, que me levou a um internamento hospitalar de seis meses. Sofri bastante, com operações e sem poder comer, a ponto de chegar algumas vezes a pensar que ia morrer. Um dia ouvi mesmo a médica a dizer à minha mãe: “Nós já fizemos tudo… agora só um milagre.” Naquele momento, uma vez mais, lembrei-me do Deus de quem ouvia falar desde pequeno e tentei falar com Ele, para lhe pedir que me ajudasse a sair daquela situação.

Lembro-me de que quando saí do Hospital, um grupo de jovens da minha igreja tinha preparado uma festa de boas-vindas para mim, mas eu, nessa mesma noite, deixei-os a todos na festa e fui consumir drogas.

Tudo tinha voltado ao mesmo! Não consegui ser mais forte do que todo aquele mundo que me aliciava e rapidamente voltei à mesma vida e tornei a cometer assaltos, até que um dia fui mesmo preso.

Após vários julgamentos por crimes que havia cometido, fui condenado a sete anos e meio de prisão. Mais uma vez, durante esse tempo, aquele Deus vinha a minha mente...

Cumpri apenas 4 anos e meio e saí em liberdade. Então, familiares ofereceram-me trabalho na tentativa de me ajudarem a mudar de vida. Mas eu não soube aproveitar e voltei a desiludir toda a gente há minha volta, acabando por roubá-los e voltar aos consumos. Foi então que cheguei ao ponto em que a minha família me fez escolher entre a ida para um Centro do Desafio Jovem ou, novamente, a prisão.

No princípio não gostei da imposição, mas acabei por me conformar… Sentia-me um zero! E, pela primeira vez, comecei a falar com Deus sem ser por interesse, mas para lhe pedir que me ajudasse a entendê-lo. Já na Comunidade, na altura em Salvaterra, pude perceber que, afinal, Deus era um ser próximo, alguém que se queria relacionar comigo, e com quem eu podia falar, que me conhecia e já amava independentemente das minhas ações e que podia ajudar-me a mudar tudo aquilo que eu era e a descobrir o sentido da minha vida… Ganhei um Amigo e outra forma de encarar o dia-a-dia e foi ali que Deus me começou a dar sonhos, objetivos e a mudar o meu carácter.

Comecei a confiar-Lhe a minha vida, certo de que Ele é real, verdadeiro e que apesar de não o ver, sinto-o perto de mim. Hoje, sei que sou um Milagre e estou muito grato a Deus por nunca ter desistido de mim e me ter dado sempre uma segunda oportunidade. Também estou grato pelas pessoas que Ele colocou no meu caminho, que me levantaram e ajudaram a chegar mais além.

Quando terminei o programa, voltei a trabalhar com os mesmos familiares. A diferença é que agora eles confiam plenamente na transformação que tinha acontecido na minha vida.

Atualmente estou casado e, juntamente com a minha esposa, dinamizo um grupo de jovens da igreja da nossa comunidade local. O nosso desejo é ser uma influência positiva na vida deles para que que eles conheçam Deus verdadeiramente. Não o Deus da religião, o Deus do "não posso", mas o Deus pessoal, o Amigo verdadeiro e descubram o sentido das suas vidas!